Pequenos Engenheiros de Lagoa, Grandes Desafios: A Jornada da Equipa Asc3nd1o SPCI no CanSat Júnior
A Escola Secundária da Lagoa, através do seu Clube de Astronomia, tem participado, desde o primeiro ano, no projeto CanSat Júnior Açores. Assim: em 2023, participou com duas equipas (acompanhadas pelos professores Luis Machado e Neide Pimentel), tendo uma delas ficado classificada em 3º lugar. No ano seguinte participamos com uma equipa, orientada pela professora Emília Pinto. Desde 2025 que as nossas equipas têm sido orientadas pela professora Neide Pimentel.




“Onde as Ideias ganham altitude!”
Nos passados dias 22 e 23 de maio, a ilha de Santa Maria acolheu a grande final regional do CanSat Júnior Açores. O evento, intensamente focado no setor aeroespacial, dividiu-se em etapas cruciais: o dia 22 foi dedicado às apresentações iniciais perante o júri, enquanto o dia 23 concentrou os lançamentos dos microssatélites, seguidos do tratamento dos dados recolhidos e das defesas finais dos projetos.
Embora o local oficial para os lançamentos estivesse delineado para Malbusca, as condições atmosféricas forçaram uma reviravolta de última hora. A falta de visibilidade, devido ao forte nevoeiro e à intensa humidade, obrigou a organização a alterar os planos por motivos de segurança. A solução alternativa passou por realizar os lançamentos no complexo da RAEGE (Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais), a partir de uma grua, a 25 metros de altura.
O CanSat Júnior é um projeto educativo europeu promovido pela Agência Espacial Europeia (ESA), gerido em Portugal pela ESERO e, a nível regional, pela EMA-Espaço (Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço). O desafio consiste em projetar e construir um modelo funcional de um microssatélite cujos sistemas de eletrónica caibam todos dentro do volume equivalente ao de uma lata de refrigerante. Além do microssatélite, o projeto exige o desenvolvimento de um paraquedas para garantir uma descida segura, de uma estação terrestre e de uma antena direcional para a receção dos dados. O grande objetivo é aproximar os jovens das áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática através de uma experiência prática e real.
Uma Longa Jornada de Trabalho e Dedicação
Para a equipa Asc3nd1o SPCI, da Escola Secundária de Lagoa, a aventura começou muito antes de aterrar em Santa Maria. O primeiro grande desafio surgiu logo na fase de candidatura, em que os alunos tiveram de idealizar e produzir um vídeo explicativo onde defendiam as razões e a forte motivação que os levavam a querer concorrer ao CanSat Júnior Açores.
Após a aceitação do projeto, seguiu-se uma verdadeira maratona de desenvolvimento que arrancou no início do mês de março. Desde então, o grupo dedicou-se intensamente à montagem integral do microssatélite, à construção do paraquedas, da antena e montagem da respetiva da estação.
Todo este esforço fez jus ao lema do grupo. Um dos maiores destaques na final foi precisamente a antena desenvolvida pela equipa, cujo material não metálico, foi totalmente produzido numa impressora 3D, uma inovação técnica que mereceu rasgados elogios e forte reconhecimento por parte dos presentes e do júri do evento.
De salientar que, e desde a nossa primeira participação, que o professor David Rosa, que é um dos professores integrantes deste Clube de Astronomia, tem colaborado e orientado toda a componente de impressão 3D, o que tem sido uma mais-valia.
Superar as Expectativas
A prestação dos jovens estudantes superou todas as expectativas. Sendo alunos do 8.º ano de escolaridade, o ponto de partida era por si só um enorme desafio, uma vez que os conceitos envolvidos iam muito além dos conteúdos curriculares da sua idade. A isto somou-se o fator tempo: o prazo para dominar a tecnologia do CanSat, fazer a programação e estruturar todo o trabalho foi extremamente curto. Ainda assim, sob a cuidadosa orientação e apoio da professora Neide Pimentel, a comitiva mostrou uma maturidade, resiliência e foco exemplares.
O talentoso “” que provou que as ideias ganham mesmo altitude foi composto pelos alunos Enzo Costa, Francisco Miguel, Gonçalo Matias, Leandro Coelho, Martinho Cimbron e Tomás Ricardo.
No balanço final, o sentimento é de profundo orgulho e dever cumprido. Apesar de ter sido um processo intensamente exigente e uma corrida contra o relógio, a aventura revelou-se uma experiência imensamente enriquecedora. Mais do que construir um microssatélite, estes jovens lagoenses regressam a casa com a bagagem cheia de novos conhecimentos em engenharia, eletrónica e programação, tendo levado ao limite — e com distinção — a máxima do trabalho em equipa.
Luis Machado e Neide Pimentel
